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Escola Sem Muros: Arquitetura e aprendizagem para construir territórios educadores.

  • #learningdesign
  • #facilitação
  • #inovaçãosocial
Como podemos cocriar uma plataforma de aprendizagem em que os saberes da permacultura e arquitetura estejam a serviço da sociedade e colabore para a potencialização de territórios educativos.

o desafio

Contexto

A Escola Sem Muros nasceu da inquietação sobre o papel da arquitetura na transformação social e da necessidade de aproximar a formação acadêmica da realidade dos territórios. Mais do que construir edificações, o coletivo propunha utilizar a arquitetura como meio para fortalecer vínculos comunitários, estimular processos de aprendizagem e ampliar a autonomia das pessoas e dos territórios. A construção física era compreendida como parte de um processo mais amplo de construção social, em que projetar, aprender e fazer aconteciam de forma integrada. Em 2018, o programa foi desenvolvido em parceria com o Espaço Cultural Jardim Damasceno, na Brasilândia, zona norte de São Paulo. Criado e mantido pela própria comunidade há mais de vinte anos, o espaço desenvolvia atividades culturais, educativas e socioambientais para crianças, jovens e adultos, mas enfrentava desafios relacionados à infraestrutura e à continuidade de suas ações. Esse contexto tornou-se o ponto de partida para experimentar uma abordagem que integrava arquitetura, educação, permacultura e participação comunitária.

Meu papel

Coidealizadora da Escola Sem Muros, responsável pela coordenação do programa, desenho da experiência de aprendizagem, facilitação das atividades e articulação entre estudantes, profissionais, especialistas e comunidade entre 2017 e 2019. Atuei também na construção do programa político-pedagógico, no planejamento das vivências e imersões e na sistematização dos aprendizados produzidos ao longo do projeto.

Abordagem

A Escola Sem Muros foi concebida como um programa de aprendizagem experiencial baseado na integração entre teoria e prática. Inspirada pelos princípios da permacultura, da arquitetura de interesse público e dos processos participativos, a metodologia compreendia o projeto arquitetônico como um dispositivo pedagógico. O canteiro deixava de ser apenas um espaço de construção para tornar-se um ambiente de aprendizagem, troca de saberes e fortalecimento comunitário. A experiência foi estruturada em três princípios metodológicos: Aproximação, dedicada ao reconhecimento do território, à escuta da comunidade e à construção de relações de confiança; Construção, voltada ao desenvolvimento colaborativo do projeto e às experiências de aprendizagem realizadas por meio do canteiro-escola; e Cuidado, orientado à continuidade do processo, à apropriação coletiva do espaço e ao fortalecimento da autonomia da comunidade.

Objetivos

  • Desenvolver um programa político-pedagógico que integrasse arquitetura, educação e permacultura.
  • Promover processos colaborativos de aprendizagem entre comunidade, estudantes e profissionais.
  • Fortalecer o Espaço Cultural Jardim Damasceno como território educador.
  • Experimentar tecnologias construtivas de baixo impacto ambiental e processos participativos de projeto.
  • Demonstrar o potencial da arquitetura como ferramenta para fortalecer comunidades e construir autonomia.

Processo.

  1. 01

    Concepção do programa

    Estruturação do programa político-pedagógico da Escola Sem Muros, definição da metodologia baseada nos princípios de aproximação, construção e cuidado e articulação entre parceiros, especialistas e comunidade para o desenvolvimento da experiência.

  2. 02

    Vivência Escola Sem Muros

    Realização de uma vivência em dezembro de 2017 para apresentar a metodologia da Escola Sem Muros, experimentar técnicas construtivas com bambu e iniciar a aproximação entre comunidade, estudantes e equipe do projeto. Essa experiência estabeleceu as bases para a imersão realizada no ano seguinte.

  3. 03

    Imersão Escola Sem Muros

    Condução de uma experiência intensiva de dez dias que integrou arquitetura, permacultura, práticas corporais, cartografia afetiva, atividades culturais, construção em bambu e processos participativos. O canteiro-escola tornou-se simultaneamente espaço de aprendizagem, experimentação e construção coletiva.

  4. 04

    Sistematização e circulação

    Registro dos processos, consolidação do programa político-pedagógico e disseminação da experiência por meio de publicações, apresentações e ações que ampliaram o alcance do projeto.

Resultados.

  • Participação na 16ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza

    A experiência desenvolvida pela Escola Sem Muros integrou o Pavilhão do Brasil na 16ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza, na exposição Muros de Ar, levando ao debate internacional uma prática que articula arquitetura, educação e construção de territórios educadores. O projeto também foi publicado no ArchDaily, ampliando a circulação e o reconhecimento da iniciativa.

  • Imersão Escola Sem Muros

    jan. 2018

    Desenvolvimento de uma experiência de aprendizagem de dez dias reunindo estudantes, profissionais e moradores em atividades que integravam arquitetura, permacultura, educação e participação comunitária, promovendo a construção coletiva de conhecimento e o fortalecimento do território.

  • Vivência Escola Sem Muros

    dez. 2017

    Realização da primeira experiência pública da metodologia, dedicada à apresentação da proposta do coletivo e à experimentação de técnicas construtivas com bambu, fortalecendo a aproximação com o território e preparando a etapa seguinte do programa.

  • Programa político-pedagógico desenvolvido

    Consolidação de uma metodologia baseada nos princípios de aproximação, construção e cuidado, articulando aprendizagem experiencial, arquitetura participativa e desenvolvimento comunitário em um mesmo processo.

Aprendizados.

Como essa experiência continua presente na minha prática.

A Escola Sem Muros consolidou minha forma de compreender o design como prática coletiva. Foi nesse contexto que aprofundei o desenho de metodologias participativas, a facilitação de grupos e a criação de experiências de aprendizagem baseadas na escuta, na colaboração e na construção compartilhada de conhecimento.

Os princípios de aproximação, construção e cuidado desenvolvidos nesse projeto continuam presentes na minha atuação em design estratégico e design de serviços. Hoje eles orientam a forma como conduzo pesquisas, desenho processos participativos e apoio organizações na construção de soluções para desafios complexos.